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Um futuro digital para todos necessita de transporte para todos

09 de Fevereiro - 2018

Os sistemas de transporte dominantes em operação hoje contam com invenções que nasceram durante a revolução industrial. Uma pesquisa do WRI revelou que novas tecnologias digitais estão começando a mudar isso, criando modelos de negócio inteiramente novos e movimentando o mercado. Em muitas cidades, é possível pedir um táxi ou um carro compartilhado ao clique de um botão. As pessoas podem sair do ônibus e pegar um trem sem obstáculos entre um modo e outro. Bicicletas estão a cada esquina e podem ser desbloqueadas e conectadas ao smartphone com facilidade. E a qualquer momento os veículos autônomos também farão parte desse arranjo, quem sabe até entregando mercadorias na porta da sua casa. Juntos, esses serviços da “nova mobilidade” estão remodelando de forma radical a paisagem do setor de transportes.

Mesmo que novas opções de transporte cheguem às pessoas e empresas em algumas cidades, o rápido crescimento tem predominado em outras e, o crescimento sem planejamento e desconectado não está apenas deixando muitas pessoas de fora da nova economia digital, como também agrava outros problemas.

1,25 milhão é o número de morte em acidentes de trânsito a cada ano e os números seguem aumentando nos países em desenvolvimento, que já registram 9 de cada 10 mortes. O setor de transportes é responsável por 23% de todas as emissões relacionadas à energia, e esse índice pode chegar a 33% até 2050. O número de mortes causada pela poluição do ar em todo o mundo aumentou 20% desde 1990, atingindo a marca de 4,2 milhões por ano.

Os serviços da nova mobilidade podem nos ajudar a superar esses desafios, levando a um transporte mais verde, seguro, inclusivo e eficiente para todos.

A mobilidade compartilhada, potencializada pelas tecnologias digitais, pode aumentar o índice de ocupação dos veículos, reduzindo as emissões per capita. Sistemas acessíveis de compartilhamento de bicicletas e transporte sob demanda (como o Uber) podem ajudar as pessoas a percorrer a “última milha” (o trecho final de um deslocamento; da estação até o trabalho, por exemplo) de forma mais fácil, aumentando a atratividade do transporte coletivo.

Tanto no transporte de passageiros quanto no de cargas, plataformas digitais contribuem para aumentar a eficiência do serviço ao oferecer novas maneiras de atender à demanda. Novas plataformas para compartilhar e despachar caminhões de carga, por exemplo, têm ajudado a evitar que os veículos voltem vazios de uma entrega.

Veículos autônomos são mais inteligentes, mais leves e prometem um cenário de mais eficiência, menos carros nas ruas e uma redução significativa de acidentes.

Todos esses progressos geram incontáveis oportunidades, mas a tecnologia sozinha não será suficiente. É necessário políticas ambiciosas que mantenham a demanda pelo transporte sob controle e criem os incentivos certos para que pessoas e empresas abracem a mobilidade sustentável.

Sem um planejamento, carros autônomos poderiam aumentar os congestionamentos, a poluição e o espraiamento urbano; sistemas de compartilhamento de bicicletas sem estações poderiam gerar enormes prejuízos; e serviços de transporte por aplicativo poderiam tirar a competitividade do transporte coletivo. Precisamos auxiliar os legisladores a gerenciar com atenção a adoção dos novos serviços de mobilidade para evitar armadilhas e maximizar os benefícios, além de encontrar mais formas de levar esses benefícios aos mais vulneráveis.

O Global Mobility Report, estudo recém lançado, utiliza dados da Agência Internacional de Energia para mostrar que, considerados os custos totais, uma mobilidade mais eficiente e sustentável poderia gerar uma economia de até US$ 70 trilhões em todo o mundo até 2050.

Nos anos que estão por vir, temos uma única chance de construir sistemas de transporte e cidades que levem a todos habitação, oportunidades de emprego, serviços e todas as promessas da economia digital. Para isso, soluções digitais inteligentes precisam ser um elemento central em qualquer estratégia de mobilidade sustentável.

Fonte: The City Fix Brasil, 11 de janeiro de 2018

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