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Projetos de intervenção urbana devem mudar contexto de terminais de ônibus em SP

13 de setembro - 2017

Em parceria com a iniciativa priva, a Prefeitura de São Paulo lançou um projeto de requalificação de terminais de ônibus para cidade. No momento, está aceitando inscrições de pessoas físicas e jurídicas, brasileiras e estrangeiras, que poderão apresentar propostas, individualmente ou em consórcios. A inspiração para o projeto veio de experiências bem sucedidas em Londres e no México.

A arquiteta e urbanista mexicana radicada em São Paulo, Sol Camacho, fez um estudo sobre as transformações que ocorreram na estação de King´s Cross, em Londres. Construída em 1842, no centro da capital da Inglaterra, o entorno da estação foi degradado a ponto de nos anos 1980 ninguém querer morar ali, em meio a edifícios abandonados e áreas contaminadas, apesar da localização privilegiada.

Estação King´s Cross, em Londres

A estação teve seu entorno recuperado, hoje abriga hotéis, escritórios, moradias, 20 edifícios históricos, uma universidade, além de espaços públicos para convivência, que ocupam 30% da área. A estação agora tem mais de 130 mil acessos diários, abrangendo seis linhas de metrô, duas de trem e uma conexão internacional, por meio da EuroStar. Isso foi possível através do trabalho em parceria da empresa estatal de transporte, que arcou com 36,5% dos custos, uma empresa de logística, que se responsabilizou por 13,5%, e agentes imobiliários, que ficaram com 50% das despesas.

O México fez uma experiência piloto na cidade Asteca, antes de implantar o projeto de requalificação de 48 terminais na cidade do México. “Foi um processo gradativo e muito bem sucedido. São Paulo, que tem características semelhantes, pode ter o mesmo sucesso, embora tenha optado por um projeto mais ambicioso, de atuar em 24 terminais simultaneamente”, aposta Sol Camacho.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, os terminais Capelinha e Campo Limpo, na zona sul e Princesa Isabel, no centro da cidade, foram escolhidos para serem pilotos de modelos de concessões. Outros 24 terminais em condições de serem requalificados estão abertos a parcerias com a iniciativa privada. Hoje eles transportam 712 mil passageiros por dia, têm um custo anual de R$130 milhões e proporcional receita de R$7,1 milhões, que correspondem a apenas 5,5% dos custos.

“Em geral, um terminal de ônibus tem influência perversa em seu entorno. Nós queremos mudar este contexto, requalificando não apenas os terminais, mas uma área de 600 metros ao seu redor, que será revitalizada, por meio de Projetos de Intervenção Urbana, os PIOS”, explicou Heloisa Proença, Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo, no Forum Urbanístico Internacional, durante Convenção do Secovi-SP, sindicato que representa empresários do setor imobiliário.

O projeto está baseado no Desenvolvimento Urbano Orientado pelo Transporte (DOT), que busca uma cidade mais compacta, multifuncional, com menos deslocamentos e em 90% deles, sem o uso do carro. “A ideia é usar o terminal como âncora para serviços que sejam úteis a quem mora na região e que funcionem como pólo de desenvolvimento econômico”, afirmou Carlos Leite, diretor da SP Urbanismo.

Fonte: Experience News, 4 de Setembro de 2017

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