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O desenvolvimento ordenado

17 de julho - 2017

A população de Campinas ultrapassou 1 milhão de pessoas, a cidade oferece a melhor infraestrutura do Brasil para os negócios, a menos de 100 quilômetros de São Paulo, próxima ao porto de Santos, é sede do maior aeroporto de cargas do Brasil e da América Latina, eleito por diversas vezes o melhor aeroporto para passageiros do Brasil e se prepara para ser o maior aeroporto de passageiros da América Latina, até 2020. Campinas é a locomotiva da Região Metropolitana de Campinas.

Um estudo da ONU aponta que 600 cidades do mundo alavancarão dois terços do crescimento econômico mundial, dez dessas cidades estão no Brasil, uma delas é a maior cidade motor brasileira que não é capital de estado, essa cidade se chama Campinas.

O novo Plano Diretor de Campinas deve alavancar o desenvolvimento da cidade, uma cidade que tem agora a oportunidade de organizar e requalificar os adensamentos e ocupações já existentes, propor novas centralidades que podem minimizar a necessidade de viagens fora de uma região, solucionar o déficit habitacional, requalificar as áreas ambientais e, ofertar abundância de serviços e possibilidades de trabalhos próximos de onde se mora.

Se vivemos em uma região com vários empecilhos para manutenção da produção rural, como: a impossibilidade de uso de agrotóxicos, a falta de segurança pública, as dificuldades de contratação de mão de obra, a questão topográfica inadequada para cultivo, a precariedade dos acessos, porque não estimularmos e fortalecermos o uso rural das cidades vizinhas onde podemos trabalhar em rede, potencializando a vocação de cada cidade?

Expandir o urbano é um processo recorrente e, quando necessário, deve ser planejado para que aconteça sem prejuízos urbanos-ambientais e sociais, através de qualificação das áreas verdes, hoje muitas delas desprovidas de cobertura vegetal, melhorar a contribuição hídrica nos lençóis freáticos e promover a requalificação urbana do entorno.

Projeto Urbanístico Jatiúna da Comurb-SPU – Loteamento Multifamiliar e comercial.

Portanto, é desejável o estímulo de novas centralidades, através de projetos urbanísticos que possibilitem uso misto com a mescla de empresas, indústrias e serviços além do uso habitacional.

Esses projetos urbanísticos devem contemplar propostas de eixos verdes que além de oferecer a toda população mais opções de lazer serão fundamentais para a recuperação de áreas de preservação permanente e várzeas degradadas atualmente na zona rural. Além dos aspectos ambientais.

Com isso, teremos nas novas centralidades onde trabalhar, morar e ter lazer se interligam, numa ocupação equilibrada das áreas, conectando bairros existentes.

Toda a transformação de uso da terra por parcelamento legal, trazem a proteção efetiva e mais-valia ambiental, também deve-se considerar as questões econômicas, gerando áreas para comércios, serviços e indústrias não poluentes que promovam ainda mais geração de empregos para a região.

Já no quesito social, além da geração de áreas para moradia de interesse social, outras tipologias devem figurar neste quadrante, com intuito de gerar miscigenação de classes sociais e variedade de modelos de ocupação, para valorizar a diversidade habitacional e a qualidade de vida. Já nas áreas públicas, notadamente nos Equipamentos Públicos Comunitários e nos Sistemas de Lazer, o poder público poderá promover equipamentos urbanos carentes em todas as regiões, em parcelas de terra estrategicamente localizadas, com fácil acesso aos pedestres, e aos ciclistas.

Vamos abrir nossas cabeças para a oportunidade de um futuro mais justo e sem preconceitos, viver numa cidade com economia forte e sólida; ensino, pesquisa e tecnologia de ponta; infraestrutura de qualidade e, viver próximo de onde trabalhamos, estudamos e temos momentos de lazer.

Por Carina Cury, arquiteta e urbanista, diretora da Comurb-SPU

Correio Popular, 16 de Julho de 2017

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