Blog

Nova proposta de classificação territorial mostra um Brasil menos urbano

10 de agosto - 2017

No dia 31 de julho de 2017, o IBGE divulgou uma nova proposta de tipologia para a caracterização dos espaços urbanos e rurais. Com base em dados de 2010, é proposto uma discussão sobre os critérios até então utilizados na delimitação do território nacional, de forma a aprimorar o Censo Demográfico de 2020, para oferecer à sociedade avanços na diferenciação das áreas rurais e urbanas, de modo a “subsidiar a implementação de políticas públicas e o planejamento em geral no país”.

Como critérios, a nova metodologia leva em conta a densidade demográfica, a localização em relação aos principais centros urbanos e o tamanho da população. De acordo com o IBGE, esses são “os critérios fundamentais da metodologia, que ainda está em debate.”

A partir do cruzamento dessas variáveis, os municípios se classificariam em cinco tipos: urbano, intermediário adjacente, intermediário remoto, rural adjacente e rural remoto.

Segundo a nova metodologia, a população urbana do Brasil passa de 84,4% para 76%, concentrados em 26% dos municípios. Já 60,4% dos municípios existentes definidos como rurais concentram apenas 17% da população total do país.

Por esta tipologia, a região Norte destaca-se pelo elevado percentual de municípios rurais (65,0%), apesar de 66,3% de sua população viver em municípios urbanos. Já o Nordeste é a região que possui a menor porcentagem de pessoas (59,3%) em municípios urbanos, com quase 29,5% da população vivendo em 1.236 municípios rurais (68,9%).

O Sudeste, região mais dinâmica economicamente, apresenta as maiores porcentagens de municípios urbanos (37,5%) e população vivendo em municípios urbanos (87%). A região Sul tem as menores proporções de municípios intermediários remotos (0,02%) e rurais remotos (0,03%), o que mostra a grande proximidade física entre as sedes municipais.

O Centro-Oeste, por sua vez, é uma região de grandes contrastes, sendo, ao mesmo tempo, a região com a segunda maior população em municípios urbanos (79,8%) e em municípios remotos, intermediários e rurais (2,3% e 4,0%, respectivamente).

Pelos critérios atuais, o espaço urbano é determinado por lei municipal, sendo o rural definido por exclusão à área urbana. Nesta classificação, o Brasil tem, de acordo com o Censo 2010, 84,4% da população vivendo em áreas urbanas e 15,6%, em zonas rurais.

O coordenador de Geografia do IBGE, Claudio Stenner, enfatiza, no entanto, que nova metodologia não vai substituir a utilizada atualmente: “O IBGE vai continuar divulgando a delimitação legal de urbano e rural. O objetivo é que no Censo 2020 se tenha mais de um tipo de classificação, oferecendo um dado melhor qualificado em termos de recortes territoriais e uma informação estatística mais aderente à realidade, para subsidiar políticas públicas e planejamento em geral”.

Ele ressalta, ainda, a importância da participação da sociedade e de outras instituições para que o estudo tenha desdobramentos concretos para o Censo 2020: “Temos que ter esse debate com a sociedade, é um tema tão relevante, tão fundamental, que não podemos lançar um documento sem promover o diálogo. A partir do ano que vem, pretendemos nos reunir com alguns ministérios para avançar e formalizar esse debate com o Estado brasileiro”, conclui.

Segundo o IBGE, a nova metodologia aplicada está alinhada a de organizações internacionais como a União Europeia, e a de países como os Estados Unidos, o que permite a comparabilidade dos resultados brasileiros.

“Por meio da análise de abordagens consagradas nos âmbitos internacional e acadêmico, a publicação propõe a discussão de nova delimitação rural-urbana adequada às iniciativas da Nova Agenda Urbana, adotada pelos 167 países participantes da Conferência das Nações Unidas sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III) e nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, diz o instituto.

Fonte: IBGE, 31 de julho de 2017

Leave a Reply