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A sustentabilidade e o papel da construção civil

23 de Janeiro - 2018

Estima-se que, até 2030, 10% da energia produzida no Brasil seja solar, aquela produzida através de placas fotovoltaicas. E a construção civil será fundamental nesse processo. Grande parte da energia limpa virá do alto de edifícios, dos telhados de casas, de prédios comerciais, de indústrias, shoppings e estacionamentos. Essas construções funcionarão como edificações-usinas, uma prática muito sustentável.

A atenção com o meio ambiente na hora de começar uma obra ganha cada vez mais espaço. São os chamados projetos inteligentes. Não necessariamente precisa ser algo sofisticado. Pode ser uma janela bem posicionada, que garanta maior entrada de luz e ventilação, o edifício híbrido, com apartamentos residenciais e salas de coworking, reduzindo deslocamentos dos moradores, Ou até mesmo a reutilização de pneus no recobrimento asfáltico.

São muitas as soluções, ações, atitudes que hoje podem ser classificadas como sustentáveis em um canteiro de obras. A indústria da construção vem investido em tecnologia para oferecer às empreiteiras materiais com longa vida útil, menos poluentes e gerando menos resíduos. Por sua vez, durante a obra, arquitetos e engenheiros põem de pé boas práticas como telhados verdes, inclusão de energias renováveis e uso de isolantes térmicos. Posturas que fazem bem ao meio ambiente e trazem conforto aos clientes, cada vez mais exigentes e comprometidos com um futuro sustentável.

O sistema fotovoltaico, por exemplo, torna as edificações geradoras de eletricidade e não simplesmente consumidoras de energia. O aprimoramento das tecnologias e a queda nos custos nos próximos anos devem fazer com o que o Brasil consiga expandir o uso. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, a demanda do país é crescente e tem avançado em média 300% ao ano desde 2015.

A energia solar térmica, utilizada em sistemas de aquecimento de água, também é perfeitamente viável e tem alta adesão sempre que o balanço de disponibilidade de áreas para captação da energia (local para a instalação das placas) se equilibra com a demanda por água quente e a disponibilidade de insolação.

De acordo com a engenheira e consultora de projetos para a área de Sustentabilidade do Secovi-SP e do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, Clarice Degani, o tema deixou de ser visto como simplesmente a adoção de medidas ecológicas ou de mitigação de impactos ambientais. Hoje, o termo sustentabilidade deve ser visto de uma forma mais ampla, porém associado a desempenho e inovação tecnológica.

Nesse campo, tem muita coisa boa que veio para ficar. Segundo Clarice, o desenvolvimento de projetos pelo processo BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informações da Construção) e a realização de simulações de desempenho para conforto e eficiência energética já são realidade.

Países ricos como a Inglaterra, já estão caminhando para um prédio considerado de energia zero. Toda energia consumida será produzida por ele. Além das opções tradicionais como cobertura de painel solar, os elevadores da edificação também serão geradores. “O atrito do sobe e desce do elevador vai gerar energia para alimentar os próprios elevadores”, revela Carlos Borges, vice-presidente de Tecnologia e Sustentabilidade do Secovi-SP.

Fonte: G1, 19 de dezembro de 2017

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